À conversa com Ana Coimbra!

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À conversa com Ana Coimbra!

A Ana é uma Mãe daquelas que sinto verdadeiro orgulho e admiração :).

Foram muitos anos até o seu sonho de Mãe se tornar real, encarou a infertilidade de frente e hoje em dia é uma Mãe feliz com muito para contar.

Obrigada por partilhares esta tua história desde o inicio.
Quem quiser pode ler a nossa primeira conversa aqui.

Parabéns Ana e farte-se de ser feliz!

 

Aos Pares: O que é para ti ser mãe?

A: Quem passa pela infertilidade é mãe mesmo antes de o ser.

Agora apenas se materializou. É um sonho tornado realidade.

 

Aos Pares: Qual a tua reação quando soubeste que estavas grávida?

A: Como fiz fertilização in vitro através de microinjecção, havia uma previsão para fazer um beta hcg que me confirmasse se havia gravidez. Hoje faz um ano que recebi essa confirmação. No dia 12 de novembro fiz um teste em casa, toda a minha calmaria tinha amanhecido em fogo e eu não podia mais esperar. Peguei no único teste que tinha em casa (parecia que destinado a este dia) e aguardei o resultado. O meu coração batia a mil, tremia e chorava, incrédula e em êxtase. Pela primeira vez, em muitas, havia ali uma segunda linha e eu queria poder agarrá-la com medo que desaparecesse. Não desapareceu, ficou cheia de certezas e ali começou a melhor viagem da minha vida.

 

Aos Pares: Tiveste algumas dificuldades a engravidar, até falámos sobre isso aqui. Quais os conselhos para quem também não consegue engravidar?

A: Procurar ajuda. Não fiquemos só a achar que ainda não aconteceu e que se relaxarmos acontece. Pode não acontecer. A percentagem de casais em idade reprodutiva que passam pela infertilidade é cada vez maior. É uma doença do nosso século. Não devemos ter vergonha. Não se escolhe. Um ano parece ser o prazo mais consensual de espera por uma gravidez, mas se sabem de antemão que existe algum problema, ou desconfiam, procurem profissionais qualificados nesta área. Insistam. Façam exames e nunca esqueçam de abordar também o lado masculino. Muitas vezes (como é o nosso caso) o problema é bilateral e não vale a pena atuar só numa das partes.

  

Aos Pares: Como encaraste a infertilidade?

A: Chorei uma semana. Todos os dias. Muito. Depois reergui-me e fomos à luta. É importante estarmos conscientes que é uma doença que “só dói do pescoço para cima” – como disse o Professor que nos acompanhou nesta luta.

É importante estarmos unidos enquanto casal e falarmos abertamente. Temos de ter consciência de que é um processo, pode demorar, rege-se por ciclos, pode falhar.

Creio que é fundamental estarmos tranquilos e confiantes. Pensamento positivo e boas energias são meio caminho.

Quando tive a confirmação da infertilidade, criei a página de Facebook “Cegonha Perneta” como auto-ajuda, mas já se converteu numa ajuda a outros casais. Vou partilhando a minha história e recebo mensagens a agradecer a força e inspiração.

Dia 12 de janeiro haverá o primeiro encontro para partilha de histórias. Estão todos convidados ❤

 

Aos Pares: A tua gravidez correu bem? Alguma recomendação para as grávidas durante a gravidez?

A: Tive uma gravidez maravilhosa. Costumo dizer que fui amplamente compensada. Sem enjoos, sem contratempos – apesar de ter ido algumas vezes às urgências – porque creio que quem passa por isto tem ainda mais receio de que algo não esteja bem e ainda fui contemplada com um parto mágico e santo.

 

Aos Pares: O que levar na mala de maternidade?

A: Acho que levei todo o amor que fui guardando para este bebé ao longo dos anos. Pensei em tudo ao pormenor muito tempo antes – tínhamos conjuntinhos distribuídos por sacos de pano feitos pela minha mãe.

 

Aos Pares: Quais são as tuas rotinas diárias como Mãe e mulher?

A: A C. tem 4 meses. Ainda me estou a adaptar a esta nova vida. Pedi licença alargada para poder aproveitar todos os momentos e com franqueza não me preocupo muito com a casa. Vai-se fazendo. A prioridade é a bebé.

 

Aos Pares: Consegues conciliar a vida de Mãe com o trabalho?

A: Ainda vamos ver como vai funcionar. Tinha perfil para ficar com filhos em casa até fazerem 3 anos e era o que gostava, mas para já, não pode ser.

 

Aos Pares: Qual o papel do Pai aí em casa?

A: O pai é o meu melhor amigo e meu parceiro de equipa. Sabe fazer tudo. A C. adora-o. Insiste imenso para eu ir ao ginásio e distrair-me e temos conseguido gerir as minhas coisas e as dele da melhor forma que nos é possível.

 

Aos Pares: Qual o episódio mais divertido e o mais caricato que tiveste com os teu filhos?

A: Passeá-la na rua com um fato de pelo integral e várias pessoas virem verificar se era um peluche. ahah

 

Aos Pares: Qual o maior susto que apanhaste como Mãe?

A: Quando a C. tinha 3 semanas desconfiamos de uma infeção urinária. Foram dois dias de sufoco no hospital pediátrico. Tinha de fazer uma punção à bexiga e nunca me senti tão impotente, mas felizmente não passou de um susto.

 

Aos Pares: És preocupada com a roupa do(s) teu(s) filho(s)? Qual a tua loja preferida?

A: Sou mãe de uma menina e adoro vesti-la. Acho que a Gocco sai vencedora por maioria.

 

Aos Pares: Qual o teu maior desejo e o teu maior medo como Mãe?

A: Acho que vou entrar nos clichés. Obviamente quero que ela seja imensamente feliz. E o maior medo é não a ver crescer.

 

Aos Pares: Como gostas de passar o teu tempo em família?

A: Assim, em família basta. Mas adoramos fins de semana fora, com visitas a monumentos e/ou caminhadas.

 

Aos Pares: Os filhos dão-nos muitas alegrias, qual a maior que tiveste?

A: Enche-me o coração acordar de manhã e tê-la a olhar para mim de sorriso rasgado e na maior empolgação já vista.

 

Aos Pares: Recomendações pós-parto?

A: À imagem do parto, não tive um pós-parto complicado. Uma semana de babyblues à qual me entreguei e permiti totalmente. Estava consciente que existia e então esperneei e chorei à vontade, assim foi-se embora mais rápido.

Difícil foi lidar com pessoas que não souberam respeitar o nosso espaço e o nosso tempo, criando diversos constrangimentos que ainda hoje se fazem sentir. Mas não mudava nada. A prioridade era/é a minha bebé. Não podemos dar demasiada atenção a egos inflamados numa fase tão importante da vida.

 

Aos Pares: Sugestão de programa para um fim-de-semana?

A: Adoramos o Douro e o Alentejo. Sempre que podemos, mesmo com a bebé, fazemos uma escapadinha.

 

Aos Pares: Ser Mãe é…

A: Uma bênção. Nunca duvidei que a alcançaria, mas agradeço todos os dias a oportunidade que me foi dada e a filha que me foi entregue. É melhor do que pedi.

 

Obrigada! ❤

Arrisquei… e sou feliz!
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