À conversa com Madalena Mexia Leitão!

8 Comentários

À conversa com Madalena Mexia Leitão!

Olá!

Hoje é dia de conversas reais. Trago novidades e uma conversa especial!

Entrevistei uma Mãe, a Madalena… mas não por ser Mãe e sim por ser gémea. 🙂

Tenho curiosidade em saber o que está dentro da cabeça dos gémeos e, sendo Mãe, ainda melhor para nos dar conselhos.

Fiquei emocionada a ler esta partilha da querida Madalena e a imaginar como eu sou e vou ser com os meus filhos.

Vou seguir as dicas. Foi importante ler e perceber a cabeça de alguém gémeo e que já é Mãe.

Obrigada pela partilha sincera e apaixonante.

🙂
__

Aos Pares: Gostas de ser gémea? És falsa ou verdadeira?

M: Adoro, adoro! Ter uma pessoa que te conhece exatamente como tu és, que vê no teu olhar tudo o que estás a pensar e que sabe como vais reagir perante qualquer situação é o melhor que podes desejar. Somos gémeas verdadeiras/idênticas.

 

Aos Pares: Costumam confundir-te com a tua irmã? Qual a tua reação?

M: Sim, muitas vezes. Se estamos uma ao lado da outra dá para distinguir, mas se estamos separadas, tirando amigos próximos e família, somos sempre confundidas.

Até entrarmos para a faculdade, como tínhamos o mesmo grupo de amigos, não existiram muitos casos engraçados. Mas quando nos separámos, começaram a acontecer episódios caricatos, até porque nem toda a gente que me conhecia sabia que eu tinha uma irmã gémea. Por exemplo, a Mariana esteve a trabalhar 5 anos em África e numa das vezes que foi para a Guiné Equatorial fez escala em Marrocos, e no meio do aeroporto de Casablanca um primo do meu marido, que não se lembrou naquele momento que eu tenho uma irmã gémea, foi falar com ela…. a Mariana conta que foi estranhíssimo porque de repente, naquele sítio, àquela hora, não estava à espera que aquela cara estranha para ela fosse meter conversa…

Ainda esta semana, à porta do meu trabalho, veio ter comigo um rapaz muito simpático que me deu um grande abraço… eu nunca o tinha visto na minha vida! Retribuí o abraço e depois expliquei que eu não era a Mariana. O rapaz, que tinha trabalhado com ela, ficou super envergonhado! As pessoas ficam sempre embaraçadas, mas para nós já são situações normais.

 

Aos Pares: Qual o episódio mais caricato que tiveste por seres gémea?

M: Temos imensos episódios engraçados, mas vou contar um que nos marcou por ter sido uma coincidência inacreditável. Há uns anos, ainda nos tempos de faculdade, inscrevemo-nos no mesmo ginásio, mas como eu tinha aulas à tarde e ela de manhã, íamos sempre separadas. Num determinado dia, passados alguns meses, fui ter com ela ao ginásio mas cheguei atrasada e só nos encontrámos na aula. Quando a aula acabou, fomos as duas para o balneário e reparámos que as minhas coisas estavam no cacifo ao lado do dela (que era o que eu costumava usar mas estava ocupado com um cadeado – o dela) e que durante aqueles meses todos tínhamos usado o mesmo cacifo (no meio de 1000)… Há maior coincidência do que esta?! Acho que é uma prova clara de que o nosso cérebro age exatamente da mesma forma!

 

Aos Pares: Tens mais irmãos além da tua gémea? Sentes alguma coisa especial pela tua gémea em relação aos teus outro/s irmãos?

M: Sim, somos 4 irmãos. Embora tenhamos todos uma relação muito próxima, naturalmente a minha relação com a Mariana, a minha irmã gémea, é especial; há uma maior cumplicidade. Com a Mariana falo pelo menos 2 vezes por dia ao telefone…

 

Aos Pares: Sentem coisas uma da outra?

M: Há gémeos que sentem coisas à distância; nunca nos aconteceu. No entanto, qualquer estado de espírito, emoção, frustração dela é vivido/sentido por mim com a mesma intensidade… é como se fosse comigo!

 

Aos Pares: Costumam comparar-vos muito? Mais agora ou em criança?

M:Acho que há sempre uma tendência para comparar irmãos, e em gémeos ainda mais. Lembro-me muitas vezes de nos compararem, mas no bom sentido. Por exemplo, a Mariana sempre foi mais aventureira, mais alegre e mais destemida do que eu e lembro-me de me incentivarem a ser menos envergonhada, à semelhança dela.

 

Aos Pares: Já te fizeste passar pela tua gémea? Queres contar alguém episódio engraçado?

M: Lá está, por ser mais ponderada, nunca quis fazer trocas. Mas a Mariana, depois de anos a fio a tentar convencer-me, lá conseguiu. Estávamos no 10º ano (1º ano em que ficámos separadas na escola por termos escolhido áreas diferentes) e ela convenceu-me a ir a uma aula de matemática dela (eu era muito boa aluna a matemática) e ela foi a uma aula de história minha. Foi horrível! Estive a aula inteira com a sensação de que a professora tinha percebido que eu não era a Mariana! Claro que a Mariana adorou a experiência e daí em diante esteve sempre a tentar repetir a experiência… não teve sorte porque não voltei a alinhar!

 

Aos Pares: Quando eram mais novas os vossos namorados confundiam-vos?

M: Não, nunca!!!

 

Aos Pares: A tua mãe vestia-vos de igual? Até quando? Gostavas?

 M: Vestia, sim! Até determinada altura gostávamos. Mas a minha mãe vestia-nos de igual já andávamos nós no liceu… sim, é verdade! Quando entrámos para o 7º ano, para o Liceu do Restelo, íamos vestidas de igual. Durante uns meses implorámos para irmos vestidas de forma diferente mas a resposta era sempre a mesma “tive tanto trabalho a cuidar de duas ao mesmo tempo, e agora querem parecer diferentes uma da outra”. Mas depois de tanta insistência (dupla, porque era a perseverança de duas adolescentes), a nossa mãe lá cedeu.

 

Aos Pares: O que mais te irrita em ser gémea?

M: Que sejamos conhecidas por “as gémeas”. Sempre nos irritou e ainda continuo a não gostar. Muitas pessoas nem sequer sabem o meu nome… sou “uma das gémeas”.

 

Aos Pares: Tens os mesmos amigos que a tua irmã, ou têm grupos separados?

 M: Sempre tivemos o mesmo grupo de amigos e continuamos a ter. As minhas madrinhas de casamento são as mesmas madrinhas de casamento da Mariana.

Naturalmente, o meu marido tem um grupo de amigos diferente do grupo de amigos do marido da Mariana e cada uma, com o passar dos anos e com a imposição natural da vida (empregos diferentes, maridos, etc.), vai criando novos grupos.

Mas as “amigas de sempre” são comuns às duas!

 

Aos Pares: Gostavas de ter filhos gémeos?

M: Adorava! Nas minhas 4 gravidezes tive sempre a esperança de estar à espera de gémeos. Nunca aconteceu. Acho que foi por isso, na tentativa de recriar aquela amizade que há entre mim e a minha irmã gémea, que tive gravidezes tão seguidas. E, de facto, tenho 2 filhas com 1,5 ano de diferença e que são muito amigas.

 

Aos Pares: Partilhaste sempre o quarto e a roupa com a tua irmã?

 M: Até aos 24 anos, idade com que me casei, partilhámos o mesmo quarto e roupa (bom, a roupa, para festas e casamentos, ainda partilhamos). Embora a partilha de roupa não tenha sido sempre pacífica… Lembro-me bem das discussões de manhã porque queríamos usar a mesma coisa nesse dia!

 

Aos Pares: Discutem muito? São as melhores amigas?

 M: Somos, sem dúvida, as melhores amigas! Em miúdas discutíamos muito; agora em adultas menos. Mas de vez em quando ainda discutimos… mas passado 5 minutos já está tudo bem.

 

Aos Pares: Maior aventura juntas?

M: Temos tantas, tantas aventuras… desde as idas de autocarro sozinhas com 9 anos para a catequese (nem sempre o autocarro parava porque não tínhamos coragem de pôr a dedo espetado), ou o caminho a pé pela rua das amoreiras para o Ginásio Clube Português onde treinávamos (onde fingíamos que a berma era uma trave olímpica), ou as inúmeros viagens na nossa mota (que tivemos com 16 anos… que saudades da nossa mota…), ou das idas aos fins de semana de manhã para as aulas de surf (com a mania que éramos surfistas), as saídas à noite…

 

 Aos Pares: Recomendações para pais de gémeos?

 M: Várias:

  • não tentem entender a relação de 2 irmãos gémeos: há troca de olhares, de sorrisos, de palavras que só os dois compreendem e que traduzem uma relação muito forte, com “códigos” próprios e inexplicável;
  • esta recomendação não é consensual, mas foi a minha realidade e tenho dificuldade em pensar que podia ter sido diferente: não forcem a separação entre os dois! Sei que há teorias que dizem que é melhor separá-los de turma, por questões da cobertura da personalidade de cada um. No entanto, e talvez se aplique mais a gémeos idênticos (chamados de verdadeiros), essa separação precoce por ser um “corte” pesado para eles. Nós só nos separámos no 10º ano e senti intensamente essa separação;
  • Não os vistam de igual até aos 12 anos (LOL).

 

Aos Pares: Ser GÉMEA é …

M: sinónimo de uma cumplicidade única e de um amor incondicional!

Obrigada!

<3

À conversa com a Psicóloga Benedita Moutinho – 6
Dicas para Mães de Gémeos!
8 Comentários
  • Teresa

    Responder

    Gostei muito desta entrevista. Também sou gémea ( e mãe de 2 crianças não gémeas) e revi-me em muitas coisas do que foi dito!! É muito bom ser gémea!! 🙂

    • Mariana Seara Cardoso

      🙂
      Beijinhos e obrigada.

  • MadaF

    Responder

    Que espetáculo!!!As minhas amigas e afilhadas do

    • Mariana Seara Cardoso

      🙂

  • Anabela Bernardino

    Responder

    Revi-me em algumas coisas. Tb sou gémea verdadeira. Ao contrário de si sp gostamos de nos vestir de igual e só após o casamento da minha mana é k começamos a vestir diferente. Após o mm curso superior sp trabalhamos juntas e já temos 39 anos. Temos vidas é claro independentes e ambas temos filhos. As minhas são gémeas e adoro.

    • Anabela Bernardino

      Sendo gémea e super amiga da minha irmã nunca me importei k trocassem nomes e sempre considerei manas/gémeas um termo carinhoso por parte de amigos e colegas. Acho k td depende do nosso feitio e da forma como fomos educados. Eu visto as minhas filhotas de 3 anos de igual. Isso não quer dizer k quero k sejam iguais de feitio mas gostava imenso k fossem amigas como eu e a minha irmã sp fomos!

  • Ana G

    Responder

    Sou prima orgulhosa da Mariana e da Madalena e a cumplicidade entre as duas é incrível.
    Mas eu própria, antes de começar a falar com elas, me baralho. Também respondem logo: eu sou a Ma….. Lindas!!

  • xana

    Responder

    Que entrevista tão gira ! Gostei mesmo.
    Sendo de Mãe de gémeas, registei alguns conselhos, que desde já agradeço 🙂
    E uma outra coisa que achei muito interessante, porque acontece o mesmo com as minhas Filhas, é que elas também não gostam de ser tratadas/chamadas por “gémeas” ou algo semelhante. E na minha opinião, considero que têm razão. Bjs

Deixe um comentário