À conversa com Terapeuta do Sono, Mafalda Navarro – 3

À conversa com Terapeuta do Sono, Mafalda Navarro – 3

Olá!

Hoje é dia de conversas reais com a Terapeuta do Sono, Mafalda Navarro.

O tema hoje é sobre os irmãos dormirem ou não juntos.

Cá em casa nesta fase não tinha outra hipótese, no entanto, vejam a opinião da especialista.

P.S. Espero que gostem e que seja útil. 🙂 Eu ainda vou partilhar com vocês como está a correr o beliche. 😉

 

Devem os irmãos partilhar o quarto?

Embora não seja uma regra obrigatória para todas as casas, a minha resposta seria sim. Os pais normalmente têm esta dúvida mais pela questão do sono. Pensam muitas vezes que o facto de partilharem o mesmo espaço na hora de dormir vai dificultar o adormecer e, pior ainda, quando algum dos filhos acorda durante a noite vai naturalmente acordar o outro.

Na maior parte dos casos concordo com a primeira parte, mas não com a segunda. Ou seja, é natural que quando os irmãos vão para a cama tenham a tentação de brincar o último bocadinho do dia, ou aproveitar para porem a conversa em dia. Mas este processo é tão ou mais importante que o tempo que passam juntos durante o dia. É um momento muito cúmplice, sem a presença de adultos.

Este tempo favorece bastante a relação fraternal, onde têm tempo para aumentar o companheirismo e a proximidade. É certo que também é importante, nós pais, não deixarmos que este tempo de interacção se estenda pela noite dentro.

Podemos ir controlando com uns “shius”, “já chega de conversa, agora é para dormir”, mas eles acabam por adormecer, e não é tão bom vermos os nossos filhos a serem amigos? Outro argumento que gosto de utilizar é a securização que cada irmão dá ao outro por estar ao pé dele. O facto das crianças saberem que não estão sozinhas dentro do quarto deixa-as tranquilas e facilita a tarefa de fechar os olhos, num momento do dia tão assustador. Não nos podemos esquecer que adormecer é das tarefas mais difíceis para uma criança, porque normalmente está sozinha, no escuro, e com uma imaginação muito fértil. É quando surgem os medos e as figuras aterrorizadoras.

Se tiver companhia mais facilmente adormece a pensar na conversa ou nas brincadeiras que teve quando já estava na cama.

Se por acaso algum dos filhos acordar a meio da noite, seja a chorar ou a chamar os pais, pode naturalmente acordar o irmão. Mas, normalmente, as crianças habituam-se rapidamente a ignorar este som durante a noite, e aprendem a não acordar também. Podemos aproveitar o facto de ter um dos filhos a dormir, para usar como exemplo para o que acordou.

Mostrar que o irmão está a dormir, e que os pais também precisam de o fazer. O que acordou deve então adormecer como o irmão. Se, ainda por cima for o mais velho que está a dormir, melhor! Pois os mais novos querem sempre imitar os mais velhos, ser crescidos como eles. Podemos então aproveitar este exemplo para vangloriar o mais velho e incentivar o mais novo a fazer igual a ele.

Assim todos ganham: o mais velho ensina o mais novo a dormir a noite toda, sentindo-se valorizado e útil, e o mais novo faz companhia ao mais velho, ajudando-o a sentir-se acompanhado e com menos medos.

Para além de tudo isto, os nossos filhos ganham um quarto de brincadeiras. Este espaço pode assim estar organizado por áreas, dependendo do tipo de brincadeira, permitindo também ajudá-los a organizarem-se pelo tipo de tarefa. Assim sendo, evitamos também a presença de brinquedos noutras divisões da casa, como o nosso quarto ou a sala.

Como dizia no princípio, não é uma regra para todas as casas. É importante que seja tida em conta a idade das crianças em causa.

Chega a uma altura em que é importante que os adolescentes tenham privacidade, e um espaço adequado para estudar. Quando o seu filho começar a exigir muito um quarto só para ele, deve ser repensada esta partilha. Ou mesmo se os seus filhos tiverem idades muito distantes, já não fará tanto sentido juntá-los, pois têm certamente necessidades diferentes.

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