À conversa com a Psicóloga Benedita Moutinho – 4

À conversa com a Psicóloga Benedita Moutinho – 4

Hoje a conversa com a Psicóloga é interessante e muito útil para todos os pais.

Leiam e partilhem, estas “aulas” são importantes e boas para crescermos enquanto pais.

Espero que ajude, a mim ajudou. 🙂

❤️

Auto-estima e Autonomia

Hoje venho falar sobre estas duas aquisições que considero fundamentais no desenvolvimento de qualquer ser humano.

Cada vez se ouve falar em conceitos como autoconfiança, auto-conceito, auto-avaliação, autoconhecimento, auto-estima e, a verdade é que, todos eles, interligados entre si, são imprescindíveis ao desenvolvimento de uma mente saudável. Funcionam como uma escada na qual o degrau superior é o patamar que queremos atingir: a auto-estima positiva.

Comecemos por perceber o que significam e, para isso vou tentar ser mais prática e o menos teórica possível!

O autoconhecimento é o processo que nos permite saber quem somos, como é que agimos, como é que sentimos, o que gostamos mais e menos. Quais são as nossas maiores qualidades e quais os nossos defeitos.

O auto-conceito é um conjunto de crenças sobre si mesmo, que se exterioriza no seu comportamento, pois cada pessoa age em conformidade com a perceção que tem de si próprio.

A auto-avaliação é a capacidade interna de avaliar tudo o que nos rodeia e nos diz respeito. Os acontecimentos de vida, as nossas ações, as nossas decisões, como sendo boas ou más.

A auto-aceitação é o reconhecimento e aceitação da nossa forma de ser e agir.

E, por fim, a Auto-estima é a opinião, perceção ou sentimento que cada pessoa tem por si mesma. É ser capaz de respeitar, confiar e gostar de si mesmo, assim como de se valorizar.

É portanto evidente que todos estes processos se influenciam internamente e condicionam a formação da auto-estima.

Para gostarmos de nós próprios temos de nos conhecer, esta é a base da auto-estima. Precisamos saber avaliarmo-nos e aceitarmo-nos . Consequentemente, quando uma auto-estima é mais elevada e positiva, a autoconfiança é também maior, o que leva o ser humano a acreditar mais em si mesmo e a confiar nas suas opiniões e tomadas de decisão. Funciona como um suporte de segurança para a ação! Quer nos adultos e, ainda mais nas crianças, que muitas vezes precisam do consentimento e apoio dos pais ou das pessoas mais velhas: uma palmadinha nas costas, um “vamos lá, continua”, “estás a ir bem”, um olhar aprovador, um sorriso… Para que isto não se perpetue ao longo da vida, é necessário estimular a auto-estima nas crianças desde muito pequeninos.

É fundamental sabermos agir com segurança sem dependermos de outras pessoas.

É neste pressuposto que escolhi falar destes dois temas em conjunto: AUTO-ESTIMA e AUTONOMIA.

Muitos pais lamentam a falta de auto-estima das suas crianças, queixam-se de não têm confiança em si próprios. Contudo se aprofundarmos a origem dessa falha, muitas vezes observamos que muitas oportunidades de a estimular se perderam ao longo da infância.

As crianças com mais auto-estima são mais assertivas na sua comunicação, expressam-se de forma mais segura, têm mais facilidade em tomar decisões, confiam mais nos seus pensamentos, arriscam mais, têm mais facilidade de socialização, lidam melhor com as dificuldades da vida e, apresentam maior estabilidade emocional e bem-estar psicológico, sendo à partida, mais felizes. Pelo contrário, as crianças com menos auto-estima, são mais medrosas e ansiosas, têm receio em arriscar, precisam quase sempre de pedir a opinião a outras pessoas, desistem facilmente, são mais isoladas, são mais dependentes dos pais, lidam pior com as adversidades ou situações novas.

Mas afinal como é que podemos ajudar os nossos filhos a terem boa auto-estima? Uma das principais respostas a esta pergunta é a promoção de autonomia.

É absolutamente importante incentivar as crianças a serem independentes. Coisas pequenas como, vestir, despir, calçar, lavar os dentes, ajudar nas tarefas de casa (pôr a mesa, fazer a própria cama), comer sozinho, dormir na sua cama no seu quarto, levar um recado, fazer um favor, arrumar os brinquedos, tomar decisões sobre a roupa ou o penteado, pedir o pão na padaria, levar as moedas para pagar a conta do café, ir pedir o seu gelado… entre tantas outras, são estímulos diários que podemos ceder às nossas crianças e que, por comodismo, muitas vezes adiamos essas conquistas deles.

Existe aqui uma constante ideia da generalidade dos pais, que remete para o facto de ser mais rápido quando somos nós a vesti-los ou quando achamos que ainda são muito pequenos para determinadas tarefas. Eu vejo isto como uma falsa questão. Se a minha filha se vestir sozinha de manhã, eu vou poder fazer outras obrigações e tenho menos essa! As primeiras vezes não vão ser tão rápidas ou tão perfeitas, mas precisamos de ter paciência e dar-lhes a oportunidade de aprenderem. O passo seguinte é o elogio e o reforço, dois incentivos importantes que vão levar a criança a ganhar confiança e motivação.

É tão reconfortante quando vemos o sorriso de uma criança orgulhosa porque foi capaz de se vestir sozinha.

Para que esta experiência seja bem sucedida, é também importante que nós pais saibamos bem quais as competências que podemos explorar. É necessário conhecer as nossas crianças, sabermos como são, quais os seus pontos fortes e fracos, aceitarmo-las como são, respeitando a sua personalidade, mesmo que esta seja diferente da nossa ou ainda, não corresponda às nossas expectativas.

É importante mostrar aos nossos filhos que todos somos diferentes, além das diferenças físicas e visíveis aos olhos dos mais pequenos, somos também diferentes na forma de estar e agir. Se entenderem isto vão-se sentir mais seguros na sua própria forma de ser e estar. Neste sentido, não devemos fazer comparações entre crianças. Isso muitas vezes diminui a confiança e, consequentemente não estimula a auto-estima.

Seja positivo, seja um exemplo daquilo que pretende exigir, ajude a criança a sentir-se importante, diga o quanto a amamos, seja presente, esteja atento, deixe-o participar, incentive, elogie, promova autonomia.

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