À conversa com Terapeuta do Sono, Mafalda Navarro – 10

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À conversa com Terapeuta do Sono, Mafalda Navarro – 10

Serão pesadelos ou terrores nocturnos?

É muito comum surgir esta dúvida quando uma criança acorda a meio da noite assustada. Acordou com um pesadelo ou está com terrores nocturnos? São de facto dois distúrbios do sono distintos. E é importante, nós pais, percebermos a diferença para que possamos agir da melhor forma, no sentido de ajudarmos os nossos filhos. Têm definições diferentes e formas de reagir também distintas.

Os Terrores nocturnos são fáceis de identificar porque surgem com comportamentos agressivos enquanto a criança está a dormir. Quando chegamos ao pé dela reparamos com facilidade que não está acordada e está bastante agitada. Os pais por norma assustam-se porque ela grita, esperneia, levanta-se sem a clara noção de onde está e quem são os pais, ou outros adultos que supostamente conhece. Parece que está possuída, que está a lutar com alguém e afasta quem a tenta acalmar. Surge normalmente a partir dos dois anos e no início da noite, enquanto a criança está em sono profundo. O papel dos pais nesta altura deve ser apenas garantir que a criança não se magoa. Quando está a dormir, e a sonhar, não tem consciência de onde está, e pode cair da cama ou magoar-se numa parede. Os pais poderão também tentar acalmá-la com o diálogo, falando com uma voz tranquila. Entrar na ficção relatada pela criança dando-lhe um desfecho mais agradável, como por exemplo, dizer que apareceu uma princesa, um rei, ou outra personagem que a criança aprecie, que mandou os maus embora e que foram todos dormir. Se a criança tiver algum comportamento agressivo com os pais, não deve ser repreendida. Pois ela não está consciente do que está a fazer, está apenas a tentar defender-se da personagem que lhe está a fazer mal. No dia seguinte não é aconselhável os pais abordarem este assunto, pois a criança não terá memória do que aconteceu, e só vai servir para que ela fique envergonhada, e não para terminar com estes episódios.

Por outro lado, os pesadelos caracterizam-se por comportamentos mais conscientes e mais simples de identificar, tendo em conta que a criança está acordada ao pedir ajuda. A criança acorda com o sonho, fica assustada, chama normalmente os pais e reconhece-os quando entram no quarto. Os pesadelos surgem por volta dos três anos e mais perto da madrugada. Neste caso, os pais devem mostrar compreensão e dar muito mimo para a acalmar. É também importante que tenham o papel de desmistificar o que a criança viveu, explicar que foi um sonho, e não é a realidade. Se necessário, fazer uma vistoria ao quarto para garantir que as personagens que viu enquanto estava a dormir não existem, e seja capaz de libertar esse medo. Não devem sugerir estratégias que mandem os monstros embora ou que enalteçam os pais, enquanto figuras fortes que lutam e destroem os monstros. Assim, só estariam a dar razão à criança, confirmando que essas figuras existem, e que ela deve estar atenta. É muito importante que os pais sejam verdadeiros com os filhos para que eles consigam confiar nas suas recomendações, e se sintam seguros para voltar a adormecer. No dia seguinte devem falar sobre o que aconteceu. Relembrar a criança do que viveu para que seja assimilada a ideia de que foi um sonho. Os pais devem mostrar que o quarto é um lugar seguro, e que se trata apenas de um episódio que não é real.

Estes distúrbios são factores protectores que as crianças utilizam inconscientemente para descarregar sentimentos de ódio, raiva, destruição e ansiedade. Surgem como uma descarga emocional de alguma coisa que experienciaram durante o dia, enquanto estavam acordadas. No entanto, quando este comportamento se torna recorrente, é um sinal de que a criança não está bem emocionalmente. Alterações na rotina podem desencadear estes episódios, assim como uma mudança de casa ou de escola, o nascimento de um irmão, a ausência dos pais ou a morte de alguém próximo, são apenas alguns exemplos a que devemos estar atentos. Outro factor desencadeante é a actividade que a criança desenvolveu na hora antes de ir para a cama. Ver televisão deve ser evitado neste período. A hora de ir dormir deve ser tranquila, de muito afecto e com imagens positivas para a criança adormecer tranquila.

Qualquer criança que atravesse um período com distúrbios nocturnos frequentes deve ser vista por um psicólogo, para que seja identificada a origem que os desencadeia e tratada convenientemente.

 

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