À conversa com Terapeuta do Sono, Mafalda Navarro – 10

4 Comentários

À conversa com Terapeuta do Sono, Mafalda Navarro – 10

Serão pesadelos ou terrores nocturnos?

É muito comum surgir esta dúvida quando uma criança acorda a meio da noite assustada. Acordou com um pesadelo ou está com terrores nocturnos? São de facto dois distúrbios do sono distintos. E é importante, nós pais, percebermos a diferença para que possamos agir da melhor forma, no sentido de ajudarmos os nossos filhos. Têm definições diferentes e formas de reagir também distintas.

Os Terrores nocturnos são fáceis de identificar porque surgem com comportamentos agressivos enquanto a criança está a dormir. Quando chegamos ao pé dela reparamos com facilidade que não está acordada e está bastante agitada. Os pais por norma assustam-se porque ela grita, esperneia, levanta-se sem a clara noção de onde está e quem são os pais, ou outros adultos que supostamente conhece. Parece que está possuída, que está a lutar com alguém e afasta quem a tenta acalmar. Surge normalmente a partir dos dois anos e no início da noite, enquanto a criança está em sono profundo. O papel dos pais nesta altura deve ser apenas garantir que a criança não se magoa. Quando está a dormir, e a sonhar, não tem consciência de onde está, e pode cair da cama ou magoar-se numa parede. Os pais poderão também tentar acalmá-la com o diálogo, falando com uma voz tranquila. Entrar na ficção relatada pela criança dando-lhe um desfecho mais agradável, como por exemplo, dizer que apareceu uma princesa, um rei, ou outra personagem que a criança aprecie, que mandou os maus embora e que foram todos dormir. Se a criança tiver algum comportamento agressivo com os pais, não deve ser repreendida. Pois ela não está consciente do que está a fazer, está apenas a tentar defender-se da personagem que lhe está a fazer mal. No dia seguinte não é aconselhável os pais abordarem este assunto, pois a criança não terá memória do que aconteceu, e só vai servir para que ela fique envergonhada, e não para terminar com estes episódios.

Por outro lado, os pesadelos caracterizam-se por comportamentos mais conscientes e mais simples de identificar, tendo em conta que a criança está acordada ao pedir ajuda. A criança acorda com o sonho, fica assustada, chama normalmente os pais e reconhece-os quando entram no quarto. Os pesadelos surgem por volta dos três anos e mais perto da madrugada. Neste caso, os pais devem mostrar compreensão e dar muito mimo para a acalmar. É também importante que tenham o papel de desmistificar o que a criança viveu, explicar que foi um sonho, e não é a realidade. Se necessário, fazer uma vistoria ao quarto para garantir que as personagens que viu enquanto estava a dormir não existem, e seja capaz de libertar esse medo. Não devem sugerir estratégias que mandem os monstros embora ou que enalteçam os pais, enquanto figuras fortes que lutam e destroem os monstros. Assim, só estariam a dar razão à criança, confirmando que essas figuras existem, e que ela deve estar atenta. É muito importante que os pais sejam verdadeiros com os filhos para que eles consigam confiar nas suas recomendações, e se sintam seguros para voltar a adormecer. No dia seguinte devem falar sobre o que aconteceu. Relembrar a criança do que viveu para que seja assimilada a ideia de que foi um sonho. Os pais devem mostrar que o quarto é um lugar seguro, e que se trata apenas de um episódio que não é real.

Estes distúrbios são factores protectores que as crianças utilizam inconscientemente para descarregar sentimentos de ódio, raiva, destruição e ansiedade. Surgem como uma descarga emocional de alguma coisa que experienciaram durante o dia, enquanto estavam acordadas. No entanto, quando este comportamento se torna recorrente, é um sinal de que a criança não está bem emocionalmente. Alterações na rotina podem desencadear estes episódios, assim como uma mudança de casa ou de escola, o nascimento de um irmão, a ausência dos pais ou a morte de alguém próximo, são apenas alguns exemplos a que devemos estar atentos. Outro factor desencadeante é a actividade que a criança desenvolveu na hora antes de ir para a cama. Ver televisão deve ser evitado neste período. A hora de ir dormir deve ser tranquila, de muito afecto e com imagens positivas para a criança adormecer tranquila.

Qualquer criança que atravesse um período com distúrbios nocturnos frequentes deve ser vista por um psicólogo, para que seja identificada a origem que os desencadeia e tratada convenientemente.

 

À conversa com Patrícia Santos!
À conversa com a Nutricionista Sara Biscaia Fraga – 5
4 Comentários
  • click to find out more

    Responder

    I simply want to tell you that I am just all new to weblog and seriously loved you’re blog site. Likely I’m likely to bookmark your site . You surely come with fantastic posts. Regards for sharing your blog site.

  • Latrisha Lovin

    Responder

    Thanks for all of your work on this web site. Debby enjoys engaging in research and it is easy to understand why. My spouse and i hear all concerning the

  • John Deere Technical Manuals

    Responder

    My wife and i have been really joyous that Edward could conclude his investigations from your precious recommendations he had while using the site. It is now and again perplexing to simply continually be giving for free information which some other people have been selling. We really take into account we’ve got the writer to appreciate because of that. The entire illustrations you’ve made, the straightforward blog menu, the friendships you will make it possible to instill – it is all astounding, and it’s really assisting our son in addition to us do think that subject matter is interesting, which is really pressing. Thank you for all!

  • Travis Tomaszycki

    Responder

    hybrid cars would be the best thing because they are less polluting to the environment..

Deixe um comentário